Seminário de ATER deixa legado para o agro sustentável no país

Durante a última semana, mais de 600 profissionais ligados à assistência técnica e extensão rural se reuniram em Caeté, Minas Gerais, para debater o futuro da agropecuária sustentável no Cerrado com a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) como facilitadora.

O Seminário de ATER: desafios e alternativas para uma agropecuária sustentável e resiliente – conectando saberes, inovações, realizado pelo Projeto Rural Sustentável – Cerrado (PRS- Cerrado) em parceria com a EMATER-MG, reafirma o compromisso do Brasil e do IABS com a Agenda Climática, especialmente após a COP 30, sendo um importante espaço de diálogo sobre os desafios climáticos, produtivos e sociais que impactam o futuro do campo. Especialistas debateram temas como mudanças climáticas, políticas públicas, assistência técnica, mercados institucionais e tecnologias de baixa emissão de carbono. 

Além disso, o evento contou com o lançamento da Revista ELO, publicação realizada com apoio do PRS – Cerrado que reúne estudos e artigos sobre práticas extensionistas no campo, e o Guia Metodológico MEXPAR, que sistematiza a disseminação de conhecimento técnico produzido no campo. Os autores da Revista ELO estiveram presentes e participaram de uma mesa para apresentar os resultados de seus estudos.

A gravação completa dos três dias de evento está disponível no canal do IABS no Youtube.

Rede de disseminação de conhecimento e valorização da sustentabilidade no campo

Reafirmando a presença do seminário como um espaço para aqueles que levam técnica, conhecimento e sustentabilidade para o campo, o Diretor-Presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) e Diretor-Geral do PRS – Cerrado, Luís Tadeu Assad, destacou, logo na abertura, que

“a sustentabilidade tem que ser vista, mas é fundamental um olhar para as pessoas que estão na ponta, no trabalho, […] todos aqueles que estão no campo ajudando os produtores para que eles possam produzir da melhor forma possível.”

Para os profissionais que trabalham todos os dias com produtores rurais, esse foi o grande destaque do evento. Mariel Camargo, coordenadora da ISOTEC, empresa parceira do PRS-Cerrado no estado de Goiás, destaca a importância dessas trocas de conhecimento para o fortalecimento das informações levadas aos produtores rurais e, consequentemente, seu desenvolvimento. “O produtor rural é a base da mudança, mas muitas vezes a informação não chega ao campo de uma forma consciente e reflexiva. Nós temos um poder de disseminação muito grande”, refletiu. 

“Essas informações serão disseminadas nos programas de atuação que nós estamos e consequentemente o impacto vem no campo.”

O extensionista Luís Carlos também reforçou a importância dos temas abordados e seu alcance até o campo. “A extensão leva ao produtor mais conhecimento e mais abrangência dos assuntos. Isso fortalece os elos e inclui o produtor também junto com a produção e a venda”, afirmou, acrescentando, a “ampla importância da questão das políticas públicas, do meio ambiente e do pequeno e médio produtor.” 

“Aqui a gente tá fazendo um diferencial, porque a gente tá falando dos atores principais do campo. A nossa razão de existir, de estar aqui discutindo algo é porque eles existem”, reforçou a palestrante Cristiane Correa, da EMATER-Pará. “Os técnicos de ATER que estão ali diretamente no dia a dia dessas famílias e gera uma unidade, um pertencimento e também uma aproximação do público, da realidade do público”, concluiu.

Mudanças climáticas e o Plano ABC+

Rodrigo Dantas, coordenador do Plano ABC+ no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), também participou como palestrante. Ele falou sobre a adaptação de sistemas produtivos e a adoção de tecnologias promovidas pela política nacional de agricultura de baixa emissão de carbono. Ele destacou essas práticas como, além de meios de enfrentamento às mudanças climáticas, estratégias de sobrevivência e resiliência do trabalho no campo.

“Quando você fala de adaptação e resiliência, nós não estamos falando apenas dos aspectos ambientais. Estamos falando também da resiliência econômica do próprio produtor. Em tempos de crise, com um sistema produtivo mais eficiente, ele vai ter condições de atravessar aqueles momentos difíceis de melhor maneira.”

Dantas falou, ainda, sobre o papel da assistência técnica como ponte entre o conhecimento, as políticas públicas, e os produtores rurais, visto que “não existe uma forma melhor de você capacitar um produtor do que por meio de uma assistência técnica.” “O objetivo final é fazer esse produtor desenvolver, prosperar e atingir os seus objetivos de vida”, acrescentou, frisando que o trabalho dos assistentes técnicos ultrapassa a orientação produtiva, trazendo contribuições para a geração de renda, a qualidade de vida e o desenvolvimento das famílias rurais.

O PRS – Cerrado trabalha diretamente com a implementação de tecnologias do Plano ABC+ no Cerrado, a exemplo da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e a recuperação de pastagens degradadas. Sobre isso, Dantas afirmou que enxerga “a política pública sendo feita desse tipo de parceria, desse tipo de conexão.”

A Diretora do Departamento de Produção Sustentável do MAPA, Mônica Holanda, destacou, ainda, a participação dos extensionistas na construção dessas políticas a partir da participação em Grupos de Trabalho (GTs) na construção de planos regionais. “Lá a gente tá desenhando o macro, vocês, da ponta, conhecem as especificidades”, disse.

Ela ainda destacou a importância das parcerias e do trabalho colaborativo para o avanço da agropecuária sustentável e implementação das tecnologias de baixo carbono nas cadeias produtivas. “A parceria do Programa Rural Sustentável é fundamentada em várias instituições”, afirmou, concluindo que “esse arranjo institucional, na verdade, é o que eu creio que pode fazer a coisa acontecer na ponta.”

Parceria PRS – Cerrado e EMATER-MG

Ainda falando sobre parcerias, o seminário marcou o trabalho cooperativo entre o Programa Rural Sustentável e a EMATER, iniciada ainda com a atuação na Mata Atlântica e ampliada com o PRS – Cerrado. “Isso tem colaborado muito tanto para o melhoramento da assistência técnica quanto para o aumento de renda e melhoria da qualidade de vida das famílias rurais”, afirmou Gelson Lemes, Diretor Técnico da EMATER-MG. “O seminário veio coroar isso, além de discutir a questão das práticas sustentáveis de produção”, concluiu.

Para Luís Tadeu Assad, o seminário é um espaço que permite aproximar o conhecimento técnico e as políticas públicas de experiências práticas, permitindo atualização profissional e a construção coletiva de soluções para a agropecuária sustentável. 

“São momentos como esse que a gente consegue trazer informação, debater, atualizar os extensionistas e discutir as inovações que a gente propõe.”

Segundo ele, a capacitação permanente dos profissionais que atuam com os produtores é indispensável na promoção de inovação e sustentabilidade no campo. Ele deixa, como reflexão, o questionamento:“Como você propõe fazer ações inovadoras sem ter uma capacitação, uma troca e uma discussão com quem faz a assistência técnica?”

Carta Aberta

O encerramento do Seminário de ATER foi marcado pela construção coletiva de uma Carta Aberta em defesa da assistência técnica e da sustentabilidade no campo

O documento reuniu reflexões debatidas ao longo do seminário,sintetizando as principais conclusões, propostas e encaminhamentos para o fortalecimento da ATER a partir de agendas de cooperação interinstitucional, investimentos na agropecuária sustentável e a formulação de políticas públicas. “Reafirmamos o compromisso coletivo por uma Assistência Técnica e Extensão Rural que se transforma para continuar transformando vidas, territórios e o desenvolvimento rural brasileiro”, a carta conclui.

Sobre o PRS – Cerrado

O Projeto Rural Sustentável – Cerrado (PRS-Cerrado) tem como missão mitigar emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e aumentar a renda de pequenos(as) e médios(as) produtores(as) rurais, promovendo a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono e práticas produtivas sustentáveis. 

O projeto atua em 101 municípios dos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com mais de R$ 150 milhões investidos em ações e benefícios coletivos. No total, a iniciativa já capacitou mais de 8 mil produtores rurais e 1.200 técnicos de ATER, e impactou diretamente mais de 4000 Unidades Multiplicadoras (UMs), 200 Unidades Demonstrativas (UDs), e 45 Organizações Socioprodutivas (OSPs).

Com financiamento do Programa Internacional de Financiamento do Clima do Governo do Reino Unido, aprovado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o projeto conta com o MAPA como beneficiário institucional, execução do IABS, coordenação científica da Embrapa e apoio da Rede ILPF.


Confira quem vai nos acompanhar no Seminário de ATER, do PRS - Cerrado em parceria com a EMATER-MG

Entre os dias 26 e 28 de maio, o Projeto Rural Sustentável – Cerrado (PRS -Cerrado), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (EMATER-MG), realiza o Seminário de ATER: desafios e alternativas para uma agropecuária sustentável e resiliente. Conectando saberes, inovações e soluções

A programação do evento, que acontece em Caeté (MG), no Tauá Hotel & Convention com mais de 600 participantes, será dividida em três dias, com sete mesas de debate. A transmissão ao vivo aberta ao público acontece no canal do IABS no YouTube.

As palestras foram definidas pensando na capacitação de agentes de ATER para o uso de instrumentos voltados à preservação ambiental, inclusão social e fortalecimento econômico das propriedades rurais, com foco na adoção de práticas sustentáveis e tecnologias de baixa emissão de carbono. 

Por isso, estão em pauta temas atuais e estratégicos para os produtores, pensando na realidade do trabalho no campo, como as mudanças climáticas, acesso ao crédito, políticas públicas, inovação tecnológica e sustentabilidade produtiva.

A programação completa está disponível aqui.

Confira os detalhes:

1° Dia – 26/05

18h30 — Cerimônia de abertura

  • Mônica Holanda – Diretora do Departamento de Produção Sustentável do Ministério da Agricultura e Pecuária (DEPROS/MAPA). 
  • Thales de Almeida Fernandes Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de MG
  • Prof. Demétrius David da Silva – Reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Professor Titular do Departamento de Engenharia Agrícola.
  • Cláudio Augusto Bortolini – Diretor-Presidente da EMATER-MG. 
  • Laura Queiroz – Diretora de Relações Governamentais e Comércio do Consulado Britânico em Minas Gerais.

19h30 — Lançamento da Revista ELO e do Guia Metodológico MEXPAR

  • Gelson Soares Lemes – Diretor Técnico da EMATER-MG.
  • Prof. Demetrius David da Silva

20h — Confraternização

2° Dia – 27/05

8h — Credenciamento

9h — Palestra Magna: Mudanças climáticas e o papel estratégico da ATER

  • Gelson Soares Lemes
  • Eduardo Brito Bastos – Presidente da Câmara do AgroCarbono no MAPA, CEO do Instituto Equilíbrio, e Presidente do Comitê de Inovação do CCarbon (USP). Também lidera o Comitê de Sustentabilidade na ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio).

10h30 — Mesa 1: Políticas Públicas de ATER como indutor de desenvolvimento no campo

Palestrantes:

  • Marília Ramos – Diretora Regional Centro Sul e gestora de projetos no IABS. No PRS-Cerrado, atua como Coordenadora das atividades de Campo e ATER.
  • Cristiane Côrrea – Coordenadora Técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará – EMATER-PARÁ, Extensionista Rural e Médica Veterinária.
  • Guilherme Ferraudo – Gerente Executivo da MyCarbon.

Mediador:

  • Hildebrando Marcelo Campos LopesGerente regional da EMATER-MG em Juíz de Fora.

12h — Almoço

14h — Mesa 2: Mudanças climáticas: adaptação e resiliência — Plano ABC+

Palestrantes:

  • José Mário Lobo Ferreira – Pesquisador em agroecologia na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Participa do projeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Montanhas Brasileiras e do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil (PronaSolos). 
  • Rodrigo Dantas – Coordenador do Plano ABC+ e Auditor Fiscal Federal Agropecuário do MAPA.
  • Renata Maria de Araújo – Superintendente de Qualidade Ambiental e Mudanças Climáticas na SEMAD-MG.

Mediador:

  • Rogério Jacinto Gomes – Coordenador Técnico Regional da EMATER-MG em Viçosa. Conselheiro, por Minas Gerais, da Federação Brasileira de Plantio Direto – FEBRAPD.

15h30 — Coffee break

16h — Mesa 3: Modelos integrados de produção sustentável

Palestrantes:

  • Miguel Marques Gontijo Neto – Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), lotado no Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo (CNPMS).
  • Alexandre Romeiro de Araújo – Pesquisador da Embrapa lotado no Centro Nacional de Pesquisa em Gado de Corte. 
  • Felipe Morbi – Empresário, fundador da Soleum e executivo em bioeconomia, agronegócio e desenvolvimento de cadeias produtivas de base biotecnológica.

Mediador:

  • Luis Eduardo Rangel – Auditor Fiscal Federal Agropecuário do MAPA.

3° Dia – 28/05

9h — Mesa 4: Crédito Rural: avanços, limites e perspectivas

Palestrantes:

  • Jonathas de Alencar Moreira – Auditor Fiscal Federal Agropecuário do MAPA, onde atualmente ocupa o cargo de Coordenador-Geral de Instrumentos de Mercado e Financiamento.
  • Elvânia Batista Guimarães Andrade – Coordenadora de Crédito Rural da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA).
  • Bruno Machado Gonçalves – Gerente de Agronegócio do Banco do Brasil.

Mediador:

  • José Henrique Chiarini Pena Barbosa – Gerente da Divisão de Programas Especiais da EMATER-MG.

10h30 — Mesa 5: Oportunidades do Mercado Institucional para geração de demanda produtiva

Palestrantes:

  • Luís Tadeu Assad – Diretor-Presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS).
  • Humberto Pereira – Coordenador Geral de Articulação Federativa para o Abastecimento Alimentar, do departamento de Aquisição de e Distribuição de Alimentos Saudáveis (DEPAD), da Secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN), no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
  • Liana Jayme Borges – Docente de Nutrição e Coordenadora do Centro Colaborador em Nutrição e Alimentação Escolar da Universidade Federal de Goiás (Cecane/UFG).

Mediador:

  • Otávio Martins Maia – Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental.

12h — Almoço

14h — Mesa 6: Organização social e mercados

Palestrantes:

  • Alair Ferreira de Freitas – Professor do Departamento de Economia Rural da UFV. Bolsista de produtividade do CNPQ, atua em projetos nas áreas de cooperativismo, políticas públicas e desenvolvimento rural. 
  • Narayemir Suruí – Presidente da Cooperaiter – Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí.
  • Valdir Rodrigues – Presidente da Coopervap.

Mediadora:

  • Ana Laura Veloso – Coordenadora Técnica Regional da EMATER-MG.

16h — Mesa 7: Práticas extensionistas — Revista ELO (Emater/UFV)

Palestrantes:

  • Jane Terezinha da Costa Pereira Leal – Coordenadora Técnica Estadual em Saneamento Ambiental da EMATER-MG. Autora do Artigo 1: Fossa Ecológica Tevap.
  • Leonardo Climaco –  Extensionista agropecuário II da EMATER, Engenheiro agrônomo formado na UFSC e mestre em zootecnia pela UFMG. Autor do Artigo 2: Manejo Agroecológico de Pastagens.
  • Bruno Luís Rosa – Extensionista agropecuário II da EMATER-MG, e concluinte do mestrado em Tecnologias e Inovações Ambientais pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Autor do Artigo 3: Extensão Rural Regenerativa e ODS
  • Rebeca Patrícia Omena Garcia – Extensionista agropecuário II da EMATER,  Graduada em Agronomia (2012) pela Universidade Federal do Amazonas, mestrado (2014) e doutorado (2017) pelo Programa de Pós-Graduação em Fisiologia Vegetal da UFV. Autora do Artigo 4: Plantas de cobertura em cafeicultura.

Mediador:

  • Nauto Martins – Coordenador Técnico Estadual de Bovinocultura da EMATER-MG.

18h — Encerramento

Esperamos você!


ATER do PRS - Cerrado já impactou mais de 2 mil produtores rurais

“Se não fosse os técnicos, a gente tava perdido aqui”, diz Ariston Vieira, produtor rural impactado pela atuação do Projeto Rural Sustentável – Cerrado (PRS – Cerrado) em Santa Rita do Pardo, no Mato Grosso do Sul. 

Há 25 anos no assentamento São Thomé, durante os quais passou períodos sem qualquer auxílio, ele conta que “o programa Cerrado chegou aqui e ajeitou tudo.” Assim como ele, mais de 2 mil produtores rurais foram impactados pela Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) do PRS – Cerrado.

Na propriedade de Ariston, a ação do PRS – Cerrado ficou marcada pela entrega de insumos agrícolas, como adubo para plantações, através da obtenção de Benefícios Coletivos (BCs), e, em especial, pelas ações realizadas por serviços técnicos qualificados pelo projeto. Nesse caso, o destaque, segundo o próprio produtor, está no manejo eficaz e sustentável de gado e pastagens. “O atendimento técnico dos meninos ajuda a fazer a formação de pastagem, que se não fosse ele a gente tava perdido também”, conta.

A ATER impacta diretamente todas as áreas de atuação do PRS no cerrado, compreendendo os estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, auxiliando os produtores(as) na aplicação prática das técnicas e ensinamentos promovidos pelo projeto através de cursos de capacitação e dos Dias de Campo (DCs). Durante o período de atuação do projeto, até fevereiro de 2026, foram realizados 176 DCs de ATER coletiva

No caso de Ariston, a ATER foi essencial, segundo seu relato, pelo momento atual de produtividade das terras. Ele mostra a área semeada, em processo de cultivo, graças aos insumos disponibilizados pelo projeto, e as áreas plantadas com o capim-açu usado para a criação de gado. Os técnicos prestam orientações sobre a recuperação e reforma de pastagem degradada. Ele agradece ao apoio do PRS-Cerrado pela saúde e sucesso de sua produção.

Produtores(as) são capacitados sobre diversos pontos do dia a dia rural

Ernando Aguilar, monitor de campo na área do Mato Grosso do Sul destaca que a ATER capacita os produtores sobre temáticas como a diversificação produtiva, bioinsumos, tecnologias de baixa emissão de carbono. Além disso, questões como o acesso ao crédito rural e regularização ambiental têm sido frequentes, acompanhando as jornadas de aprendizado oferecidas pelo PRS-Cerrado nos cursos com ATECs, cursos presenciais e Dias de Campo. 

E os resultados se comprovam no dia a dia. “Manejo de gado, análise de solo, manejo de pastagens, tudo isso tem nos ajudado”, contam Juvan e Valdirene, do Assentamento Esperança, em Anaurilândia, no Mato Grosso do Sul. 

Os DCs de ATER coletiva, momento que possibilita a troca entre esses beneficiários(as) e as instituições técnicas, continuam acontecendo ao longo dos próximos meses.

Sobre a ATER

A Assistência Técnica e Extensão Rural do PRS-Cerrado faz parte do escopo de atuação do projeto no caminho para implementar o desenvolvimento sustentável no Cerrado. Ao todo, cerca de 3 mil produtores(as) são atendidos pelo serviço.

O grande objetivo é oferecer qualificação produtiva e ambiental aos beneficiários(as) da região, alinhada às diretrizes do Plano ABC+. Com o apoio dos(as) técnicos(as), são promovidas práticas sustentáveis que contribuem para a redução da emissão de carbono, melhoria do uso do solo e aumento da produtividade e renda dos(as) produtores(as) atendidos(as).

Com essas ações, a produtividade local é fortalecida e ampliada, beneficiando os trabalhadores com mais ofertas de mercado e aumento na geração de renda, ao mesmo tempo em que a área de impacto das tecnologias de baixa emissão de carbono (como RPD, ILPF, SAF, entre outras) e produção sustentável se torna ainda mais abrangente na região. 

Além disso, as empresas parceiras de ATER atendem ao próprio interesse dos produtores(as) em agregar conhecimentos, aplicando na prática os ensinamentos das ações formativas oferecidas pelo PRS-Cerrado, como os cursos de EAD Introdutório e Avançado, Cursos Presenciais e Seminários.

As instituições responsáveis pelo atendimento prestado em campo também são capacitadas pelo projeto, a fim de garantir qualidade e padrão nos serviços prestados aos(às) beneficiários(as).


Dias de Campo de Março: “Como é bom ver de perto a implantação de tecnologia feita pelo produtor”

O mês de março do Projeto Rural Sustentável – Cerrado (PRS – Cerrado) foi marcado pela realização de 44 Dias de Campo (DCs) nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Desses, 38 foram DCs de ATER coletiva, com o objetivo de promover a troca de experiências, práticas e aprendizados entre os assistentes técnicos ligados ao

programa e os produtores rurais das Organizações Socioprodutivas (OSPs) parceiras. Outros quatro foram os DCs especiais organizados em comemoração ao mês das mulheres

A estimativa é que, ao longo do mês, o projeto tenha envolvido 1847 pessoas nas atividades. Elas puderam participar de palestras, rodas de conversa e oficinas práticas ligadas a temas como o acesso ao crédito rural, Sistemas Agroflorestais (SAFs), integração Lavoura-Pecuária-Floresta (LPF), e técnicas de manejo para comercialização e rentabilidade de produtos. 

Minas Gerais

A rodada dos DCs abriu em Minas Gerais, no município de Lagoa Grande. O encontro aconteceu na Unidade Demonstrativa (UD) dos produtores Sebastião Ribeiro Lima e Maria Aparecida de Lima. Ela, inclusive, teve espaço para realizar uma apresentação sobre a mini agroindústria que administra. Os participantes ainda participaram de palestras e oficinas sobre o acesso à linha de crédito rural PRONAF A, além de uma roda de conversa com empresas como a Frutpres e a Central Coop Alfa, que compram e distribuem seus produtos.

Contando com ele, foram realizados 8 DCs no estado mineiro durante o mês. Os temas abordados mantiveram o padrão, levando o conteúdo a todos os produtores participantes, e incluíram, até mesmo, o uso de bioinsumos em SAFs e pastagem. Em Pompéu, no dia 24, ainda foram trabalhados o redesenho da paisagem e o uso da Cratylia. Algumas ações, como a realizada em Paracatu, contaram com apoio e fortalecimento da prefeitura.

Veja todas as datas e temas:

03/03 – Lagoa Grande – Organização da propriedade, crédito rural e tecnologias sustentáveis para aumentar a renda no campo;

07/03 – Uberlândia – Bioinsumos para hortifruti, pasto e silagem;

07/03 – Paracatu – Integração LPF, Apicultura e Avicultura;

24/03 – Pompéu– Agroecologia e redesenho da paisagem;

24/03 – Pato de Minas – Silagem de qualidade: planejamento e crédito rural para produzir mais;

25/03 – Abaeté – Agroecologia e redesenho da paisagem;

26/03 – Paracatu – Arroz na Integração lavoura e pecuária como estratégia para aumentar a produção e melhorar o solo;

31/03 – Paracatu – Manejo de pastagens, qualidade do leite e bioinsumos para aumentar a produtividade e a rentabilidade da propriedade.

Goiás

Já o Goiás recebeu 9 DCs de ATER coletiva com temas bastante variados. No distrito de Buritizinho, em Orizona, por exemplo, mais de 50 pessoas participaram de palestras sobre a Pecuária Sustentável no Cerrado. Foram abordadas questões como como as tecnologias, acesso a crédito e técnicas de manejo para aumentar a rentabilidade no setor. Lá, os produtores ainda puderam visitar estandes sobre bioinsumos, energia solar, e nutrição animal com foco na produção de silagem.

Já em Morrinhos, no último DC do mês, apesar de a temática principal ser relacionada a bioinsumos, a experiência foi prática. Os produtores aprenderam técnicas de coleta e multiplicação de microorganismos em meios de cultura caseiros. O objetivo é a produção para uso próprio desses insumos como condicionadores de solo, auxiliares no enraizamento de plantas, e no controle biológico de pragas e doenças.

O estado ainda contou com a doação de mais de 250  mudas frutíferas, ornamentais e madeireiras do cerrado para os produtores.

Veja todas as datas e temas: 

05/03 – Morrinhos – Quintais Produtivos;

10/03 – Catalão – Crédito Rural;

13/03 – Morrinhos – Aproveitamento da palhada para pastejo e formas de silagem para alimentação animal;

17/03 – Distrito de Buritizinho, em Orizona – Pecuária Sustentável no Cerrado: tecnologia, crédito e manejo para aumentar a rentabilidade;

19/03 – Quirinópolis – Quintais Produtivos;

24/03 – Orizona – Crédito Rural;

26/03 – Caiapônia – Quintais Produtivos;

27/03 – Perolândia – Produção sustentável na pequena propriedade: como reduzir custos e emissões de carbono  no Cerrado;

31/03 – Morrinhos – Bioinsumos.

Mato Grosso do Sul

“Como é bom ver de perto a implantação de tecnologia de feita pelo produtor e mais do que isso, agradecendo a assistência técnica e o PRS – Cerrado”, afirma Ariston Vieira, produtor participante do DC realizado em Santa Rita do Pardo, no Mato Grosso do Sul. O dia foi organizado em parceria com a ATER Simbiose. Ao longo de março, os 9 DCs realizados tiveram como foco a implantação de técnicas e tecnologias aprendidas pelos produtores rurais na prática. 

Os temas variaram da implantação de SAFS, acesso ao crédito rural e técnicas de pastagem até questões como o melhoramento genético e transferência de embrião, na OSP APLB, em Brasilândia.

As ações no estado ainda tiveram seguimento com a energia de uma luz positiva obtida no mês anterior: no dia 28 de fevereiro, o DC realizado na OSP do Sindicato Rural de Paranaíba teve tradução em Libras. A intérprete Fernanda Leal garantiu a participação acessível dos produtores rurais PCD das três famílias presentes. 

Veja todas as datas e temas:

06/03 – Chácara Buriti, Campo Grande – Silagem de milho para alimentação de gado leiteiro no inverno;

14/03 – Selvíria – Sistemas Agroflorestais, Implantação de SAFs;

14/03 – Sidrolândia – Tratos culturais em frutíferas;

19/03 – Anaurilândia – Manejo adequado para melhoria e conservação de solos e Recuperação de pastagens em degradação;

19/03 – Rio Brilhante – Sistemas de integração ILP e IFP;

21/03 – Santa Rita do Pardo – Manejo adequado para melhoria e conservação de solos e Recuperação de pastagens em degradação;

27/03 – Brasilândia – Melhoramento genético (transferência de embrião) 

Palestrante: Fernando Morelli;

28/03 – Três Lagoas – Manejo de bovinos de corte e leite e reserva alimentar;

28/03 – Sonora – Horticultura na agricultura familiar. Manejo de adubação, pragas, doenças e plantas daninhas.

Mato Grosso

Com uma programação diferente, o Mato Grosso recebeu, no dia 7, um DC voltado para estudantes universitários, com o objetivo de atuar como complemento para sua formação. A ação aconteceu em Santo Antônio de Leverger, na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Durante o dia, os alunos participaram de atividades sobre animais ruminantes e não ruminantes.

Ele fez parte dos 14 dias de programação no estado, que focaram em temas como o uso de bioinsumos, técnicas de correção do solo e manutenção de sistemas produtivos, além da implantação e manejo de novas tecnologias. Os produtores também participaram de atividades sobre a produção sustentável no campo com foco no aumento da rentabilidade e diminuição de prejuízos. 

Veja todas as datas e temas:

07/03 – Santo Antônio de LevergerAnimais ruminantes e não ruminantes;

09/03 – Tangará  da Serra – Utilização de Bioinsumos na produção agroecológica;

10/03 – Tangará da Serra – Utilização de Bioinsumos na produção agroecológica;

11/03 – Canarana – A importância e os efeitos da correção de solo, adubação e controle de plantas invasoras na manutenção de sistemas produtivos;

12/03 – Rondonópolis – Implantação e Manejo de Pastagens Uso de Volumosos;

12/03 – Nova Xavantina – A importância e os efeitos da correção de solo, adubação e controle de plantas invasoras na manutenção de sistemas produtivos;

13/03 – Tangará da Serra – Utilização de Bioinsumos na produção agroecológica;

14/03 – Pontal do Araguaia – Implantação e Manejo da tecnologia RPD;

15/03 – Sapezal – Manejo e controle de pragas e doenças na fruticultura;

17/03 – Tangará da Serra – Implantação e manejo técnico da fruticultura em propriedades familiares;

18/03 – Campo Verde – Fertilidade do Solo;

19/03 – Diamantino – Utilização de Bioinsumos na produção agroecológica;

20/03 – Itiquira – Preparo da área e implantação de SAFs;

20/03 – Tangará da Serra – Produzir com Sustentabilidade: mais renda, menos custo.

A previsão para o mês de abril é seguir com a programação de DCs nos quatro estados, oferecendo técnica, envolvimento e prática para os produtores rurais. Até o momento, 12 dias estão programados. Clique aqui para conhecer e entrar em contato com o monitor de campo da sua região.